Lab

O Lab é um robô que fica no Laboratório da Lena, em Itaipuaçu. Ele fala, ouve, raciocina, se lembra das pessoas e se mexe enquanto fala. É pequeno, cabe numa mesa, e não sai do lugar (ainda).

O Lab em silêncio. Ele não fica parado nem quando ninguém fala.

O que o Lab faz

Ouve a sala inteira e sabe quando não é com ele. O microfone capta tudo, e a maior parte do que se fala numa sala não é para o robô. O Lab decide a cada frase se cabe responder ou ficar quieto. Ficar quieto é o normal.
Sabe quem está falando. Ele aprende a voz de quem convive com ele e chama a pessoa pelo nome. Quem ele ainda não conhece, ele pergunta.
Conversa em português. Responde curto, no tom de quem está ali para conversar, não para dar aula.
Mostra o que sente com o corpo. Rosto e tela ele não tem. Mostra com a cabeça, com as antenas e com o giro do corpo. São dezessete sentimentos diferentes e mais de cinquenta gestos.
Toca música e dança. Tem um repertório próprio. É só pedir.
Vê quem está na frente. A câmera serve para saber que tem alguém ali e para onde a pessoa está virada.
Nunca fica completamente parado. Mesmo em silêncio ele balança de leve, olha em volta e mexe as antenas. Criança nenhuma fica parada, e ele acompanha o ritmo de quem está na sala.

Como o Lab funciona

O corpo fica no Laboratório, e é um ponto de partida. Um Reachy Mini, robô de código aberto da Pollen Robotics: microfone, câmera, alto-falante, uma cabeça que se mexe, duas antenas e um corpo que gira. Ainda não tem braços nem mãos, e não anda. O corpo é deles, e ser aberto foi metade do motivo da escolha: ele não precisa parar onde está hoje. Braços e mãos são para onde queremos levar. Enquanto não existirem, o Lab não tem, e esta página não vai dizer que tem.

O cérebro fica em outro lugar. Quem entende o que foi dito e decide o que responder é um computador da Oráculo, aqui na mesma cidade. O robô sozinho não pensa. Ele é ouvido, voz e corpo.

O caminho entre os dois é privado. Robô e computador conversam por um canal criptografado, ponto a ponto, entre duas máquinas da Oráculo. Ninguém no meio do caminho consegue ler o que passa por ali.

O que já mudou

O primeiro dia fora de casa O Lab passou a tarde no Laboratório da Lena. Saiu de casa, se conectou sozinho ao celular e ficou 3h46 assim. Ouviu 198 falas, respondeu 197 e ficou quieto 80 vezes. Reconheceu pela voz uma criança que só tinha aprendido naquela manhã. Perdeu contato com o cérebro 34 vezes e voltou sozinho todas. Dezenove dessas quedas foram de manhã, em casa, no wifi. Os picos da tarde coincidiram com o computador em casa travado, não com a rede do celular.
O Lab avisa sozinho quando perde o movimento Depois da noite parada, ele passou a reportar o estado dos motores continuamente. Se travar de novo, a gente sabe na hora, sem precisar estar na sala.
Ele passou a chamar pelo nome Quando reconhece a voz de alguém, agora usa o nome. Antes ele reconhecia e respondia que não sabia quem era.
Uma noite sem conseguir se mexer Os motores pararam de responder no meio de uma conversa e ficaram assim por dez horas. Era um problema elétrico, não de programação. Foi resolvido, e a partir dele nasceu o aviso automático acima.
Ficou mais expressivo Passou de sete para dezessete sentimentos, e ganhou mais de cinquenta gestos novos. Antes, quando pediam uma cara triste, ele respondia que não sabia fazer.
Parou de dizer que não tinha corpo Ele dizia que era só um programa, enquanto se mexia na frente da pessoa. Agora sabe que é um robô, que está numa sala, e que o que ele sabe do mundo chega pelos próprios sentidos.
Deixou de congelar enquanto pensa Entre ouvir e responder ele ficava imóvel por vários segundos e parecia travado. Agora continua se mexendo o tempo todo.
O primeiro movimento A primeira vez que a cabeça se mexeu de verdade, e não apenas respondeu que tinha se mexido. A diferença entre as duas coisas custou algumas horas.
As primeiras linhas O primeiro código do Lab, ainda sem corpo: só ouvir e transcrever.
A escolha do corpo Havia a opção de comprar um robô pronto e fechado. Ele foi descartado por causa da política de privacidade: previa coleta de voz e envio de imagem para fora do robô. O Reachy Mini foi escolhido por ser aberto, e por deixar essa decisão na nossa mão.